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Porque andar de bicicleta produz pais melhores

  • 04/07/2016

“Bom, agora espero que você pare com essa de bikes”. Essa frase foi dita para mim por muitos amigos, parentes, conhecidos, colegas, desconhecidos, vizinhos e pelo administrador do meu condomínio por nove meses seguidos. Desde quando eu e minha esposa descobrimos que nos tornaríamos pais....


“Bom, agora espero que você pare com essa de bikes”.

Essa frase foi dita para mim por muitos amigos, parentes, conhecidos, colegas, desconhecidos, vizinhos e pelo administrador do meu condomínio por nove meses seguidos. Desde quando eu e minha esposa descobrimos que nos tornaríamos pais. Minha paixão desenfreada por tudo que é de bicicleta foi vista como algo totalmente incompatível com ser um pai, como se virar pai fosse o fim da minha vida e não o início de uma nova e maravilhosa aventura.

Pena que todas aquelas pessoas não tinham percebido que para mim a bicicleta não é um passatempo, mas é a minha vida. Eu as pedalo, conserto e falo sobre bikes. Estou convencido de que ter bicicletas e trabalhar com elas poderá me ajudar a ser um pai melhor.

Porque eu tenho certeza? Aqui estão alguns motivos:

Praticidade
Qualquer um que pedale constantemente já teve que lidar com pneus furados, correntes quebradas, cabos cortados, câmbios desregulados. Colocar tempo e empenho na resolução destes problemas não faz outra coisa que adquirir a praticidade e o conhecimento, tornando os ciclistas pessoas práticas e autônomas. E lhe digo por experiência própria, depois de aprender a regular bem um câmbio que não funciona, aprender a trocar uma fralda é muito fácil.

Resiliência
A resiliência é a capacidade mental de continuar adiante apesar de tudo e os ciclistas sabem bem quanto isso é importante. Chuva, frio, sol na cabeça, trânsito, ciclovias horríveis, motoristas irritados… São muitas as situações as quais o ciclista deve ser capaz de reagir e continuar a pedalar sem ficar desanimado. Este exercício de resiliência dá uma ótima preparação para enfrentar a vida de pai, porque ajuda a superar qualquer dificuldade. As cólicas, as horas de madrugada, as visitas médicas, a nova gestão do tempo, o carrinho de bebê, o berço, a cadeirinha de carro, a mala maternidade, as meias, o cobertor, todas as situações se tornam desafios a superar e não problemas intransponíveis.

Apoio
Os ciclistas são pessoas altruístas, que se ajudam mutuamente. Dão a mão a outro ciclista que tem um problema mecânico mesmo sem o conhecer. Oferecem a própria garrafa de água a quem está pedalando desidratado, apoiam uns aos outros e se cumprimentam quando se encontram, porque eles sabem muito bem que no fim estamos todos na mesma estrada. Essa concepção da vida, como uma viagem a percorrer juntos e não como um desafio egoísta onde o importante é chegar primeiro, é essencial para os novos pais. Tudo muda, é verdade. Mas aquilo que não deve mudar é o apoio mútuo. Quando se pedala em grupo, o corredor à frente se alterna constantemente com os outros na posição: primeiro eu vou um pouco, depois vai você, depois um outro. Desse modo chegamos juntos sem ninguém se arrebentar. A mesma coisa devem fazer os pais: ora toca a mãe, ora o pai. Cada um lidera da forma que sabe fazer, mas ambos têm o mesmo objetivo.

Endorfina
A bicicleta é a maneira perfeita para baixar o estresse e a tensão, recarregar-se e ter a sua dose de endorfina, uma substância produzida pelo cérebro que tem efeito calmante e relaxante, como uma droga natural. Digamos que dois colegas, novos pais, chegam em casa e encontram o bebê chorando. Quem reagirá melhor: aquele que pedalou e se sente relaxado e cheio de endorfina, ou aquele que passou uma hora no trânsito xingando a todos e com raiva do mundo?

Paciência
Os ciclistas sabem bem o que significa ser paciente. Muitas vezes não são compreendidos e ouvem dizerem coisas como: “Mas porque anda de bicicleta?”, “Mas não é perigoso?”, “Mas e depois não fica suado / chove / fica cansado / fica exausto / morre / parece pobre?”. Exatamente o mesmo de quando nos tornamos pais: “Segure o bebê assim”, “segure o bebê assado”, “deve comer três vezes por hora”, “deve dormir duas horas seguidas”, “não pegue ele muito no colo senão fica mal acostumado”, “cadeirinha de carro não é legal”, “quando você era pequeno isso não existia e você cresceu saudável do mesmo jeito”, “não dê vacinas”. E muitas outras coisas. Então o ciclista-pai, em qualquer caso, não faz nada além de sorrir, acenar com a cabeça e continuar a pedalar do jeito que achar oportuno.

Hábito de sofrimento
Ciclistas são pessoas acostumadas ao sofrimento: sofrem em longas subidas, sob as chuvas de verão, sofrem as dores da fome e da sede, sofrem do cansaço que faz parte da atividade esportiva. Este hábito do sofrimento os fazem compreender uma coisa: tudo passa, nada dura para sempre. As subidas são escaladas, chuvas terminam, a fome deixa de ser sentida, a sede diminui, o corpo se recupera da fadiga. E tudo isso ajuda a torná-los pais presentes, mas não apreensivos. Um grito desesperado não se torna um caso pra o Dr. House. Um galo na cabeça é apenas uma maneira de amadurecer. Uma queda é só uma queda, não um fracasso. São aspectos que ajudam a serem melhores pais, porque pais perfeitos não existem. O trabalho de um pai não é proteger o filho de qualquer problema, mas sim fornecer-lhe os meios para resolverem os problemas da vida.

Exemplo
É inútil fingir que nada aconteceu: cada um tenta reproduzir na própria família as situações da infância. Isso significa que o exemplo que damos aos nossos filhos é o maior legado que podemos deixar. Muito mais importante que dinheiro, casas ou empresas. E a paixão pelo ciclismo é um excelente exemplo para deixar aos próprios filhos. Mostra o respeito pelo ambiente, por uma melhor gestão dos recursos, porque é um ensinamento (ou treinamento) de vida que promove a resistência ao cansaço, que faz entender que nada é de graça, que sem esforço não se consegue nada, que no fim das contas só se pode contar com você mesmo. Provavelmente ao meu Fabio não interessa nem um pouco a bike, mas estou certo que um dia, quando adulto, e eu não estiver mais, toda vez que olhar uma bicicleta, pensará em seu papai. E tenho certeza que irá sorrir.

(Essa é uma tradução do texto de Omar Gatti, publicado no BikeItalia.it)

Publicicado no site Mobikers

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