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Cicloturismo nos Lagos e Vulcões – uma viagem sobre duas rodas no Chile e Argentina

  • 31/03/2017

Nesta coluna, o guia de cicloturismo Jorge Blanquer Rodrigues, do Clube de Cicloturismo, conta sobre a fascinante viagem pela Rota dos Vulcões, ao norte da Patagônia, entre o Chile e a Argentina. Jorge dá muitas dicas sobre o planejamento da viagem e fala das belezas locais.


Por: Clube de Cicloturismo

Nesta coluna, o guia de cicloturismo Jorge Blanquer Rodrigues, do Clube de Cicloturismo, conta sobre a fascinante viagem pela Rota dos Vulcões, ao norte da Patagônia, entre o Chile e a Argentina. Jorge dá muitas dicas sobre o planejamento da viagem e fala das belezas locais.

 

O verão austral (dezembro a fevereiro) é o melhor momento para o cicloturismo na Rota dos Lagos e Vulcões. Por isso, comece a se planejar já! Confira a reportagem.

Realizar uma viagem de bicicleta pela América do sul entre Chile e Argentina, foi um sonho de muito tempo, desde a época que iniciei no Cicloturismo em 1995.

Desde então, tracei inúmeros percursos na frente do mapa, viajando na imaginação de como seriam as estradas e cidades desenhadas em seus contornos. Esse momento tão especial que tanto aguardava, realizei entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005, durante 30 dias perfeitos.

Defini uma travessia percorrendo a famosa Região dos Lagos e Vulcões entre Chile e Argentina na Patagônia Norte.

Essa região revela um dos mais belos cenários da América do Sul, sendo formado por um conjunto de lagos glaciais com água incrivelmente cristalina, e belos vulcões que desafiam nossa vista com a sua imponência e magnitude, além das maravilhosas paisagens nevadas da onipresente Cordilheira dos Andes.

Foi com essa expectativa que parti de São Paulo para Santiago do Chile, levando comigo todo o equipamento cuidadosamente separado para realizar a viagem com segurança.

Logo chegando a Santiago no dia 20 de dezembro, peguei um ônibus até a cidade de Villarrica, inicio da jornada de bicicleta.

Villarica destaca-se pelo seu lago homônimo, tendo em seu horizonte a presença do vulcão ativo que também tem o mesmo nome.

Só no dia seguinte a chegada em Villarrica, pude finalmente realizar o sonho de iniciar o primeiro dia de pedalada, seguindo em direção ao principal centro de esportes de aventura no Chile, a cidade de Pucón distante 25 km.

 

Nos três dias que estive em Pucón, conheci o belo Parque Nacional Huerquehue, tendo como atrativo os lagos Verde e Toro, rodeados por montanhas e amplas áreas verdes.

Agora, um dos momentos mais especiais da viagem, foi o “desafio” de subir o vulcão ativo que domina toda a paisagem da aventureira cidade, com seus 2.874 metros cobertos de neve.

Sua imponência enchia meus os olhos de admiração e vontade de desafiá-lo numa escalada até seu cume ativo. Lógico que não perderia essa oportunidade especial, e esperei o melhor dia para subir suas paredes de neve. Escolhi uma agência especializada dentre centenas que existem no principal eixo da cidade, a Av. Libertador General O’Higgins.

Junto com um grupo de turistas, subi durante três horas numa “escalaminhada” em ziguezague, até o topo onde se pode admirar de um lado a bela paisagem da região dos lagos, e de outro a esfumaçada e profunda cratera que assusta todos os novatos com suas explosões de lava.

Partindo de Pucón, pedalei 56,83 km contornando o lago Calafquen e passando por Lican Ray até chegar em Coñaripe, onde acampei por uma noite. Ainda em Coñaripe era possível avistar o vulcão Villarrica!



Parada no lago Nahuel Huapi na chegada em Bariloche na Argentina Crédito: Jorge Blanquer
Vista do lago Nahuel Huapi no mirante do Cerro Campanário em Bariloche Crédito: Jorge Blanquer
No 15o dia de viagem parti para San Carlos de Bariloche, viajando boa parte do tempo na companhia do lago Nahuel Huapi. A cidade é um dos principais centros de inverno da Argentina, atraindo inúmeros turistas estrangeiros que visitam suas estações de esqui e picos nevados.

Nos dias que estive em Bariloche, subi o Cerro Campanário, onde as vistas de seus mirantes são considerados os mais belos cartões postais do mundo, onde se pode ver a imensidão do lago Nahuel Huapi, o Cerro Lopez e a península de San Pedro. Também pedalei pelas estradas pouco seguras do conhecido “Circuito Chico”, onde a falta de acostamento, trechos sinuosos e inúmeros carros passando muito perto criavam um certo perigo.

Depois de 12 dias pedalando pela Argentina, segui o roteiro planejado voltando para o Chile na travessia dos Lagos Andinos, partindo do Puerto Pañuelo localizado a 28km do centro de Bariloche. Esta bela travessia também conhecida como Cruce de Lagos, foi feita alternando trechos navegados de Catamarã, e trechos de estrada de rípio onde a bike entrava em ação.

Depois de atravessar os lagos Nahuel Huapi e Frias, pedalei 10 km de forte subida em direção ao Paso Vicente Perérez Rosales, entrando na área do parque nacional de mesmo nome. Depois de cruzar a fronteira, enfrentei uma cansativa e perigosa descida numa estrada de rípio em péssimo estado de conservação.

A bicicleta pulava tanto na descida que me exigiu muita destreza para não levar um tombo feio. O final desta alucinante descida foi recompensada pela maravilhosa vista do Cerro Tronador, com 3.491 metros de altura, e seu cume coberto de neve eterna que contrastava com o belo azul do céu.

 

Depois de pedalar 26 km, o ponto final do dia foi na vila de Peulla, onde se encontra a Aduana Chilena. Aproveitei a bela noite estrelada para acampar no jardim da casa do Guarda Parque.

No dia seguinte, continuei a travessia cruzando de Catamarã o lago Todos Los Santos até Petrohué, localizada aos pés do vulcão Osorno. Durante a travessia, é possível ver a aproximação do belo vulcão se destacando no horizonte, além de avistar o vulcão Pontiagudo e belas quedas d’água.

Logo chegando em Petrohué, procurei o melhor camping para passar a noite, e aproveitei o final de tarde para caminhar na trilha chamada de “Sendero da Desolación”, que leva até a base do vulcão Osorno passando por suas corredeiras formadas pelo degelo.

No dia seguinte fiz a última pedalada da viagem até a cidade de Puerto Varas, ainda na “boa” companhia dos insetos Tábanos que havia comentado anteriormente. Pedalei 16 km beirando o rio Petrohué até Ensenada, e depois mais 50 km até Puerto Varas sempre avistando o grande lago Llanquihue e o vulcão Calbuco.

Foi muito gratificante a experiência de pedalar pelas estradas mais belas e conhecer os melhores destinos naturais da Região dos Lagos e Vulcões. Não é por pouco que essa região atrai centenas de cicloturistas de todo o mundo.

 

Dados da viagem:

  • 530km pedalados em 23 dias (dezembro e janeiro 2004/2005); 
  • 4 horas de travessias em barcos; 
  • 17 lagos: Villarrica, Calafquen, Pullinque, Panguipulli, Pirihueico, Lacar,Hermoso, Falkener, Villarino, Traful, Correntoso, Espejo Chico,  Esperro, Nahuel Huapi, Frias, Todos Los Santos e Llanquihue; 
  •  7 vulcões: Villarrica, Quetrupillán, El Mocho,Tronador, Osorno, Puntiagudo e Calbuco; 
  •  6 Parques Nacionais: Villarrica, Huerquehue, Lanín, Nahuel Huapi e Vicente Perez Rosales; 
  •  1 milhão de Tábanos me acompanharam na viagem.
     

Equipamento utillizado:

  • BIKE
  • Barraca
  • Isolante térmico
  • Alforjes
  • Capa para bicicleta
  • Termômetro
  • Ciclocomputador
  • Canivete Suíço
  • Kit de ferramentas e remendo
  • Bomba e câmera de ar
  • Silver Tape
  • Caramanholas (2)
  • Cadeado
  • Isqueiro e fósforos
  • Álcool 92 (1 litro)
  • Recipiente para o álcool
  • Purificador de água
  • Detergente
  • Fogareiro
  • Panela
  • Talheres
  • Lanterna
  • Despertador
  • Travesseiro inflável
  • Pilhas
  • Pano para limpeza em geral
  • Corda para varal
  • Sacos Zip-lok
  • Papel alumínio
  • Produtos de higiene
  • Mapa e roteiro de viagem detalhados
  • Caderno para diário
  • Caneta
  • Capacete
  • Toalha

    FOTOGRAFIA
  • Câmera fotográfica Reflex
  • Câmera fotográfica Digital
  • Bolsa
  • Flash
  • 20 rolos de filme cromo
  • Tripé
  • Filtros polarizador e UV
  • Cabo disparador
  • Bateria reserva
  • Cartão cinza
  • Etiquetas para identificação dos filmes

 

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