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Ambulante de Caxias pedala mais de 90 km por dia pra vender doces na Zona Sul do Rio

  • 16/08/2018

Trajeto de ida e volta de bicicleta dura cerca de 12 horas. Ele conta que na Baixada não tem muitas oportunidades de trabalho e que seu sonho é transformar sua bike em uma minimercearia.


A bicicleta e o sorriso são os principais aliados de Elias Francisco do Nascimento Junior. Todos os dias, o ambulante de 27 anos, que mora em Duque de Caxias, pedala cerca de 90 quilômetros para vender doces, recarga de celular e chinelos personalizados na Zona Sul do Rio.

Ele sai de Imbariê por volta do meio-dia e chega na Zona Sul às 18h, 45 quilômetros depois. Por volta das 22h, pega outros 45 quilômetros no caminho de volta para casa e começa seu descanso às 4h da manhã.

O trajeto, que passa pelas vias movimentadas de carro Rio-Magé, Washington Luiz e Avenida Brasil, dura quase 12 horas de bicicleta, mas Elias garante que a rotina, apesar de exaustiva, vale a pena.

Elias explica que prefere ir trabalhar de bicicleta porque além de não ter que carregar o peso dos produtos nos braços, ele faz seus próprios horários, economiza com o valor da passagem e não precisa enfrentar a concorrência da venda nos coletivos.

O tempo que ele leva pedalando para chegar ao trabalho demora tanto porque ele vai devagar, por conta do movimento de carros.

"Tem muito engarrafamento, então vou pelo acostamento. Tem que ter cuidado da Rio-Magé e na Brasil, não é aconselhável o que eu faço. Pra fazer isso tem que saber andar na rua. Eu me arrisco muito, os carros passam voados, tenho que me equilibrar ali cheio de peso na bicicleta".

Clientes preferidos

As crianças são seus clientes preferidos e os doces que mais saem são os de amendoim, as balas de tamarindo, pipoca rosa, cocada e doce de leite.

O ambulante também faz elogios aos clientes da Zona Sul. "Prefiro vender aqui porque tudo que coloca, vende. Pessoal daqui dá mais valor pra gente que o pessoal da Baixada. Lá é mais difícil de trabalhar. Uma senhora uma vez comprou uma pipoca no Catete e passou R$ 200 no cartão pra me ajudar."

Venda de R$ 0,10 na maquininha de cartão

O diferencial do vendedor, segundo ele, é a maquininha de cartão de crédito que disponibiliza para vender seus produtos de baixíssimo valor. Equilibrand

o três delas nas mãos, Elias vai guiando a bicicleta em busca de clientes em Laranjeiras, Cosme Velho e Copacabana. Para não perder nenhuma venda, ele passa até 10 centavos na maquininha.

"Enquanto nas lojas o vendedor só passa acima de R$ 10, eu passo até uma bala de R$ 0,10. Tem que pensar também no lado do cliente que às vezes quer comer um doce, mas está sem dinheiro. Vendo mais com a maquininha, tenho notinha de tudo, R$ 0,10, R$ 0,50, R$ 1,50, nunca perdi venda por isso", relembra.

Na bicicleta, com um cartaz escrito "Magazine Junior", Elias carrega bolsas também uma grande quantidade de papel. São os documentos que garantem a legalidade da bicicleta (que custou R$ 650), o aluguel das máquinas de cartão, a compra das mercadorias e até mesmo documentos que comprovam todas as suas vendas. Em um dia bom, Elias garante que vende até R$ 120.

"Mas tem vezes que a gente passa nas ruas, não vê a venda sair, dá até um desânimo, vontade de desistir, já senti isso várias vezes, mas aí coloquei na cabeça que tinha que continuar", conta, emocionado.

Para o futuro, o vendedor quer equipar sua bike com mais quatro caixotes. "Quero fazer uma minimercearia. Pra vender de tudo ali, de sabão em pó a coco ralado", diverte-se. O sonho de comprar a casa própria e construir uma família, para ele, ainda está distante. Mas Elias tem esperanças.

"Todo mundo sonha ter uma família, ter uma casa, mas ainda não deu pra mim, por falta de emprego e por falta de pessoa que ajude, que some".

No batente desde os 12 anos

Para quem está desde os 12 anos tentando ganhar seu próprio dinheiro, nada pode ser mais transformador que o trabalho. No começo, Elias jogava lixo fora para a vizinhança, pra ganhar 10 centavos ou, por sorte, R$ 1.

"Era pra poder comprar um pão à tarde, tomar café ou comprar uma mistura pra comer à noite. Minha mãe dizia que eu não precisava, que eu não estava passando fome, mas desde os 12 anos que trabalho assim e até hoje estou na rua trabalhando", explica.

Assista a reportagem completa

Por: G1.com

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