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Ela é avó de 3 e pedalou um Everest em um dia

  • 12/09/2017

Você já ouviu falar no Everesting? O desafio consiste em escolher uma subida e repeti-la até completar a altimetria acumulada de 8.848m, equivalente à altitude do Everest. Lori Hoechlin conta como completou seu primeiro Everesting numa das montanhas mais famosas do ciclismo mundial


Depoimento a JEN SEE

Lori Hoechlin é uma americana de 54 anos e avó de três. Ela completou seu primeiro Everesting em 2015 em nada menos do que o Alpe d’Huez – qualquer fã do Tour de France sabe que isso não é pouca coisa. São 21 curvas em 13,8 km, com inclinação média de 8%, chegando a 13% em alguns pontos. Veja o relato contando como foi:

“Eu estava em Orion, na França, em 2015, com um amigo. Nós estávamos tomando café, e eu contei que queria fazer um Everesting — pedalar os 8.848m de altimetria acumulada, equivalentes a subir a montanha famosa, em um dia, de uma tacada. Meu amigo falou “você deveria escolher o Alpe d’Huez”. Nós estaríamos por lá por mais uns dois dias apenas, então não dava para pensar muito. “Acho que vou de Alpe d’Huez então!” Toquei para lá no dia seguinte.

Por coincidência, o Tour de France passaria por lá na sequência, então cada curva já tinha entusiastas de plantão. Tinha muita coisa para eu ver enquanto subia. Eu subi e desci. Subi e desci. Subi de novo. As pessoas começaram a me reconhecer. Na sexta vez que eu subia, quem estava ali vendo começou a aplaudir quando eu passava.

Eu estava na bicicletaria Cycle Huez, no alto da subida, para reabastecer depois de umas 9 horas quando percebi que estava começando a ficar com a pele toda esfolada por causa do meu bretelle – ele estava desmanchando! Eu comprei outro par ali mesmo. Era uma ótima desculpa para comprar uma camisa de ciclismo combinando. Então voltei para a estrada.

Meu GPS de pulso dura só 17 horas. De repente, eu senti ele vibrar e vi que a bateria estava acabando. Eu estava na minha oitava – última – volta. Se o GPS desligasse, todo o esforço feito até ali não teria valido. Eu acelerei o ritmo. Na última volta, as pessoas encheram a rua, deixando só um espacinho para eu passar. Eu estava ganhando tapinhas no ombro, buzinadas de incentivo. Foi tão incrível. Eu terminei em 15 horas e 36 minutos, pouco antes da meia noite. Foram 215,8 quilômetros.

E a verdade é que não foi um sofrimento enorme. Para mim, era mais um dia extra-longo fazendo algo que eu amo fazer. Eu faço century duplos (provas de 100 milhas, que em dobro, dão 320km), eu já fiz a Race Across America. Eu às vezes penso o que eu já poderia ter feito se eu tivesse começado aos 20 ou 30 anos. Não me arrependo de nada, porque valeu muito a pena investir nos meus filhos nessa idade. Mas me pego imaginando o que podia ter sido diferente.”

 

Ser cinquentona, amadora e avó de 3 não impediu Lori de fazer um Everesting em uma das montanhas mais míticas do ciclismo

A dica de escalada da Lori: “Se você quer fazer um Everesting, pegue uma subida constante, que não seja tão íngreme que destrua suas pernas. Para mim, o ideal foi uma inclinação entre 7% e 8%.”

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